As galerias de esgoto e suas histórias

As galerias de esgoto e suas histórias

A primeira sensação ao falar de galerias de esgoto não é muito agradável, pois automaticamente remete à sujeira, odor forte e problemas de entupimento que só são resolvidos por uma empresa desentupidora. Mas por incrível que pareça, as galerias de esgoto e suas histórias vão muito além do simples caminho das águas.

Conheça algumas galerias de esgoto famosas pelo mundo e suas histórias, e surpreenda-se com suas particularidades, provando que é possível viver novas experiências neste local um tanto quanto diferente.

Museu de Esgoto de Paris

Visitantes no Museu de Esgoto de Paris

Você certamente já deve ter ouvido falar e até mesmo ter tido oportunidade de conhecer um museu. A visita a um museu é um passeio bem agradável, cheio de curiosidades onde é possível aprender coisas novas a respeito do assunto exposto.

Mas e se esse museu fosse instalado em uma galeria de esgoto, você acha que seria possível? Sim, além de ser possível, já é uma realidade. Este museu está instalado em uma das cidades mais belas do mundo, Paris.

Tubulações do Museu de Esgoto de Paris

O Museu de Esgoto de Paris proporciona um passeio bem diferente, onde é possível transitar tranquilamente por galerias interligadas, bem parecidas com ruas, conhecendo um sistema de tratamento de águas altamente eficiente. Em algumas partes é natural sentir um cheiro desagradável, mas suportável e não há perigo de encontrar roedores.

Durante a visita ao museu, é possível conhecer o antigo conjunto de tubos de ferro, muito conhecido como “sistema nervoso da cidade, máquinas da época usada para a limpeza dos túneis e vários objetos encontrados nas galerias ao longo dos anos.

Galeria Belgrand do Museu de Esgoto de Paris

Na galeria Belgrand estão expostos diversos materiais, como mapas e cartazes que contam a história do ciclo da água.

O museu de esgoto de Paris presta uma bela homenagem às personalidades da época. Suas galerias foram batizadas com nome de figuras importantes, como é o caso do Túnel Bruneseau, que homenageia um grande pesquisador da rede de esgoto de Paris.

Esconderijo durante a Segunda Guerra Mundial

Refugiados no filme In Darkness

As galerias de esgoto também já foram usadas como esconderijo durante a Segunda Guerra Mundial por muitos judeus. Durante a invasão da Polônia por tropas nazistas, em 1939, os judeus que conseguiram escapar do violento massacre na cidade se esconderam em esgotos por longos meses.

A luta pela sobrevivência deste grupo é algo admirável já que enfrentaram muitas adversidades pela escolha do local.  O medo certamente traduz a resistência destas pessoas a ficar em um ambiente totalmente escuro, sujo, cheio de bichos nojentos e com forte odor.

A história é tão impressionante e emocionante que acabou indo parar nas telas do cinema. O filme “Na Escuridão” relata fielmente o drama vivido pelos judeus em um cenário bem diferente, nos esgotos.

A diretora Agnieszka Holland traz uma reflexão sobre o horror e o inferno causado por uma guerra através de cenas muito verdadeiras.

Arte em galeria de esgoto no Brasil

Arte de Zezão

A arte pode ser manifestada de diversas formas e em vários lugares e por que não em galerias de esgoto? É possível ver a arte em galeria de esgoto no Brasil, através de um diferente, mas belo trabalho realizado pelo grafiteiro Zezão.

O artista passou por uma fase difícil em sua vida e usou a arte como terapia para lidar com este momento. Buscava lugares abandonados e esquisitos que tinham ligação com o que estava sentindo naquele momento.

Zezão e sua arte

Para Zezão, expressar sua arte em galerias de esgoto traz uma sensação de paz, apesar de estar em meio a muito lixo, escuridão e inúmeros perigos.

A forma diferente de expor sua arte despertou a atenção de muitas revistas e programas de televisão. Atualmente o artista desfila seu talento em galerias de esgoto espalhadas no mundo todo.

Sistema de águas na Roma Antiga

Ruínas das galerias de água romanas

O sistema de águas na Roma Antiga é representado por 10 grandes aquedutos construídos por homens, mas que curiosamente levavam nomes de mulheres.

Os romanos construíram grandes labirintos espalhados em centenas de quilômetros em longos viadutos. Através dessa bela construção fica clara a preocupação que os romanos tinham com o sistema de abastecimento de águas.

Observando as galerias se tem a sensação de que a arqueologia nascia como ciência há séculos atrás pelo desenvolvimento perfeito dos aquedutos com pouca tecnologia disponível na época.

O sistema de águas na Roma Antiga é admirável, uma grande obra de arte. Destaca-se o Acqua Claudia que percorria 87 quilômetros e fornecia 2.200 litros d’água por segundo. Atualmente, o único aqueduto que funciona é o Acqua Vergine, muito admirado por milhares de turistas que passam pela cidade.

Aqueduto de Acqua Vergine

 

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